Amigo(a)s
Quero partilhar o meu estado de satisfação e euforia, ao conseguir bater o meu recorde na meia-maratona em 10', fiz 1h37m47s. Com uma dor na perna direita ao 15km, no qual gelei, ao pensar que tinha de desistir, surgiu-me um sentimento de derrota, de desilusão e perca de oportunidade se tivesse de desistir, mas pensei que dali só saía de maca e lá fui continuando com dores e mais devagar.
Gostei imenso da corrida, do ambiente, das pessoas, da organização enfim penso que Lisboa está de parabéns por este evento desportivo e social. Uma menção menos honrosa para a prova da maratona que ao começar às 10h dificultou imenso a prestação dos atletas, pois o tempo muito quente não se adequa à prática do atletismo, pelo menos para a maioria dos atletas amadores. A prova devia começar mais cedo, 8h30 ou 9h00 no máximo.
A história da minha prova resume-se no seguinte:
Tinha como objetivo inicial fazer uma média de 4'40'' para tentar chegar abaixo da 1h40m.
Comecei a prova após os 500m, nos 4'20''. Aos 5km tinha 22'20'' que perfaz uma média de 4'28'', ou seja ia a "andar" bem.
Pude pela primeira vez testar as pastilhas energéticas (limão) isostar e senti-me muito bem com elas, tomei-as aos 5km, 10km e 15km.
Ao 10ºkm ia com 44'59'', ou seja com uma média de 4'29'' o que prova a minha regularidade na prova até ao 10ºkm.
Continuava a sentir-me bem e começava a ficar eufórico pois senti que ia conseguir baixar o objectivo a que me propus e baixar significativamente o meu recorde pessoal que estava na 1h47m.
Chegado ao 15km estava com 1h08m00 com uma média de 4'31'' e mais uma vez a minha regularidade aqui demonstrada.
Sentia-me que nem um herói, pois sentia-me mesmo bem e nem sinal de cansaço, mas o pior estava para vir, 228 metros a seguir. Sinto uma dor terrível na coxa da perna direita e dei um imenso grito de susto pelo que me podia estar a acontecer, lesão seguido de desistência. Instalou-se o pânico na minha mente, reduzi o ritmo para 5'15'' e mantive este ritmo até ao próximo posto de abastecimento. De seguida molho a perna toda com água principalmente na coxa, tentando aos poucos acelerar um pouco mais, mesmo doendo-me a perna. Penso que o meu corpo compensou o alivio do esforço da perna lesada para a perna boa e tenho a ideia que corria coxeando, se isso é possível. Consegui manter-me nos 5'00'' até ao 18ºkm e agora sim já sentia cansaço.
Aproximando-se o fim, comecei a ficar mesmo eufórico, pois mesmo lesionado, ia conseguir bater o meu recorde e baixar o meu objectivo inicial.
Do 18km até à meta, fiz a uma média de 4'47'', terminando a corrida num sprint a 3'33'' em que já nem me lembrava das dores.
Do 18km até à meta, fiz a uma média de 4'47'', terminando a corrida num sprint a 3'33'' em que já nem me lembrava das dores.
Foi um dia para não esquecer a todos os níveis, certamente vai ficar na minha memória para sempre.
Tenho pena que só alguns se apercebam do meu feito, pois a maioria dos meus amigos não têm noção do que é baixar 10' numa prova de 21Km, nem o que é fazer 1h37m47s, mas para compensar tenho os meus colegas de treino, o meu pai (à muitos anos um grande apreciador de provas de atletismo) e claro a minha mister Rita Borralho, que valorizaram imenso a minha prestação com conhecimento de causa.
Sinto-me muito feliz por isso, e por provar a mim mesmo que é possível vencer desafios e que a idade e a doença, nem sempre são um impedimento.
Obrigada a todos os que me apoiaram nos treinos, à minha mister Rita Borralho pelos treinos, todo o apoio e aconselhamento, por acreditar em mim e por me dar estas alegrias. A todos os meus companheiros de treino e á minha esposa Ana Ester e filhos pela minha ausencia dos treinos e ao fim de semana nas provas.

